Cancer de Próstata: Dr. Dower Frota diz que deveria ser sempre Novembro Azul

Dr. Dower Frota destaca a importância da Ressonância Magnética no diagnóstico precoce e acertivo dessa doença.

Aumento no número de casos

O câncer de próstata é o segundo tipo mais comum de câncer em homens em todo o mundo, perdendo somente para o câncer de pele. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam para 65.840 novos casos de câncer de próstata no ano de 2020.
Apesar de ser um dos cânceres com maior taxa de sobrevida, chegando a 100% de cura se descoberto em um estágio inicial, no Brasil, é o segundo tipo de câncer que mais mata os homens, sendo registrados, em 2018, cerca de 15.576 óbitos pela doença em 2018. De acordo com o INCA, tem sido observado no Brasil um aumento nas taxas de incidência de câncer de próstata ao longo dos anos e sua incidência deve dobrar até 2030 e que cerca de 14% dos homens terão esse diagnóstico em algum momento em sua vida.

Os homens considerados em risco para o câncer de próstata são aqueles com um nível elevado de PSA, um exame anormal de toque retal e história familiar positiva de câncer de próstata. Uma vez que um fator de risco é identificado, os pacientes são aconselhados a fazer uma biópsia guiada por ultrassom trans-retal (USTR). Mas, assim como o exame de toque retal e o teste de PSA, essa ferramenta tem limitações. Estima-se que mais de 1,5 milhão de biópsias de próstata são realizadas a cada ano e que até 1 milhão delas pode ser desnecessária uma vez que sobrediagnóstico tumores clinicamente insignificantes e estimulam o tratamento radical desses tumores. As terapias radicais podem afetar enormemente a qualidade de vida desses pacientes. Sabe-se que após os tratamentos radicais, cerca de 60% dos pacientes apresentam disfunção erétil e, embora as taxas de incontinência urinária severa sejam baixas, até 30% dos pacientes continuam a relatar algum sintoma de incontinência urinária  no seguimento a longo prazo.

 

Cancer de Próstata: Dr. Dower Frota diz que deveria ser sempre Novembro Azul
Cancer de Próstata: Dr. Dower Frota diz que deveria ser sempre Novembro Azul

 

Técnicas tradicionais com baixa precisão

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Até agora, as biópsias convencionais (guiadas por ultrassonografia transretal) têm sido o padrão de diagnóstico quando se suspeita de câncer de próstata. Para obter o tecido da próstata para a biópsia, é realizada a ultrassonografia transretal para guiar agulhas especiais que retiram amostras do tecido da glândula prostática. São retirados pelo menos 12 amostras de diferentes áreas da glândula, guiadas por ultrassom. Esse método é utilizado desde os anos 80. “As imagens de ultrassonografia ajudam a posicionar as agulhas corretamente, mas as imagens não são ‘nítidas’ o suficiente para  identificar as lesões suspeitas de câncer, não sendo, portanto, possível ‘mirar’ em áreas ideais”, afirma o médico radiologista dr. Dower Frota. O médico frisa que “A abordagem usual é feita ‘às cegas’, esperando que, se um tumor estiver presente, uma das amostras obtidas o encontre”. Além disso, várias partes da próstata não são sistematicamente estudadas com a biópsia guiada por ultrassonografia, como por exemplo as porções mais anteriores da glândula e o ápice prostático. O Dr. Dower alerta que essas biópsias aleatórias podem “perder” alguns tumores agressivos: “estima-se que a taxa de falso negativo seja entre 30% e 45%”, afirma o médico.

Por outro lado esse procediemnto, pode sobrediagnosticar tumores de baixa agressividade que provavelmente não precisariam ser tratados com cirurgia radical. Nesse sentido a ressonância magnética multiparamétrica representa um grande avanço na detecção e diagnóstico do câncer de próstata ajudando ao médico radiologista a revelar nódulos suspeitos de tumores agressivos. “O diagnóstico definitivo não pode ser dado a partir de uma imagem de ressonância magnética, mas ela pode ser usada para identificar áreas suspeitas e guiar as biópsias a alvos com maior chance de serem tumores agressivos”, destaca o Dr. Dower Frota, que descreve um importante estudo (o PROMIS) que apoia o uso da ressonância magnética como parte essencial da triagem do câncer de próstata.

Nesse estudo ficou evidente que a combinação da ressonância e biópsia por fusão foi superior à biópsia padrão guiada somente por ultrassom na detecção de tumores clinicamente significativos, detectando cerca de 12 % a mais desses tumores, com a vantagem de não terem sido colhidas todas as amostras da biópsia padrão. “Além disso a ressonância multiparamétrica da próstata, com ou sem biópsia, não foi inferior à biópsia padrão na detecção de tumores clinicamente significativos, confirmando a importância desse método de imagem na detecção dos tumores de próstata”, frisa Dr. Dower Frota.

Para o Radiologista Dower Frota a Ressonância Magnética veio para revolucionar o diagnóstico do câncer de próstata. “Além da possibilidade de reduzir em cerca de 30% o número de biópsias desnecessárias de próstata, com resultados mais específicos é possível detectar o tipo e o local exato da lesão-índice e, provavelmente possibilitará o tratamento focal do câncer, invés do tratamento com cirurgia radical, evitando assim efeitos danosos como disfunção erétil, possivelmente melhorando a qualidade de vida desses pacientes ”, afirma o médico.

** Este texto não necessariamente reflete, a opinião do Portal Da Fama